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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A curiosidade matou o gato?


A curiosidade é uma qualidade altamente subestimada pelas pessoas. A maioria acredita que não é algo positivo uma vez que, fazer várias perguntas pode ser problemático e, como diz o provérbio: "A curiosidade matou o gato". Se assim for, o prazo de validade das minhas vidas deve estar prestes a expirar.

Todos nós passamos pela idade dos "porquês", a diferença é que para alguns essa fase não passou. Desde muito novo que sempre fiz pergunta atrás de pergunta sobre tudo e mais alguma coisa. Se não me respondiam ou tentavam despachar-me com algo pouco convincente, massacrava-os até obter uma justificação digna da minha validação. Era isso e andar a explorar cenários ou acções para descobrir qual seria o resultado. Posso dizer que numa dessas actividades exploratórias houve uma colher e um leitor de cassetes envolvido. Mais não digo.

Geralmente confundida com cusquice, esta necessidade de saber mais está completamente enraizada na minha personalidade. É como se fosse uma comichão que não passa até ter respondidas todas as questões que considerar relevantes. Quando entramos em modo Curious George aumentamos a nossa capacidade de observação e temos mais consciência do que está a acontecer ao nosso redor. Confesso que peco imenso por isto. São incontáveis as vezes que estou no café com os meus colegas e enquanto eles falam, os meus olhos e ouvidos estão atentos a cada movimento e conversa nas redondezas.

Como não gosta de regras e prefere caminhos menos convencionais e espontâneos, a curiosidade pode ser tramada. Especialmente se forem o alvo de interesse. Durante muito tempo a minha namorada interpretava as minhas questões como uma espécie de interrogatório. Correcção, ela ainda o faz. A verdade é que sim, quero saber as respostas mas não, não é com esse intuito. Simplesmente sou uma pessoa interessada e gosto de ter acesso a todas as informações possíveis. Talvez seja por isso que sou o primeiro a partilhar tudo com quem considere que o deva fazer. Compreendo que para os comuns mortais isso não faça sentido e possa soar como uma valente desculpa para ser um alcoviteiro, mas não é.

Não nego que adoro uma boa fofoca, mas não é esse o principal objectivo desta viagem pelo conhecimento. A cima de tudo, gosto de estar preparado para qualquer situação. Aliada à minha desconfiança geral com o mundo, se tiver em minha posse informações sobre algo em específico, nem que seja a opinião sincera de alguém, consigo antever os seus passos e precaver-me se necessário. O facto do meu discurso estar a soar um pouco ao de um sociopata é pura coincidência.

Chamem-me de quadrilheiro ou simplesmente chato, mas não me parece que vá conseguir mudar esta minha maneira de ser e ver as coisas. Se não estiver à vontade com vocês sei controlar-me mas caso contrário, sou um descarado que não tem qualquer problema em perguntar directamente aquilo que quero saber. Nem que seja sobre algo absurdo como "Se tivesses que escolher entre ser cega ou muda, qual escolhias?". Sinceramente penso que é preferível a ser um desinteressado de primeira, sem qualquer vontade de questionar nem que seja a si próprio.


Consideram-se curiosos? Confessem lá, são cuscos?

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

MOVIE LOUNGE ⤫ BLADE RUNNER 2049 (2O17)


Considerado por muitos como o melhor filme de ficção científica de sempre, e um dos pioneiros no estilo neo-noir, Blade Runner (1982) voltou a materializar-se no grande ecrã. Trinta e cinco anos depois da obra-prima de Ridley Scott, a sequela realizada pelo canadiano Denis Villenueve surge como um alívio personificado ao prolongar e reinventar o universo original.

A acção toma lugar trinta anos após os acontecimentos em Blade Runner: Perigo Iminente, na versão portuguesa. Humanos e replicantes continuam a coexistir, embora a linha que os separa seja cada vez mais ténue. Os Blade Runners continuam a perseguir e "reformar" replicantes ilegais mas, até que ponto serão estes alvos realmente robôs? E afinal, quem é verdadeiramente humano? A premissa original de Hampton Fancher e David Peoples é, assim, preservada.



Não é segredo o meu amor pelo original e desagrado com as notícias de uma sequela (AQUI). Dito isto, tenho que dar a minha mão à palmatória e admitir que Blade Runner 2049 esforçou-se ao máximo para manter a visão de Ridley Scott. Através de paisagens futuristas, fruto de um genial trabalho de fotografia (Roger Deakins) e cenografia (Dennis Gassner), é assegurada a ambientação sombria e iluminação néon que tanto cativaram os fãs desde a década de '80.

O argumento não é revolucionário, mas oferece ideias que nos deixam a remoer a perpétua problemática do que significa estar vivo e consciente. O ritmo da narrativa é lento, algo arriscado num filme de quase três horas, mas os pontos altos justificam tal decisão. Confesso que nem dei pelo tempo passar. Estava de tal modo imerso na acção e maravilhado com a vertente visual que pouco me importou o facto de nem ter tido tempo para almoçar antes da sessão.


O principal problema desta produção prende-se ao casting. O elenco até é bastante a cima da média, mas existem duas escolhas que... não compreendo. Como temi desde o início, Ryan Gosling não se insere propriamente bem nesta temática. Tudo se resume a uma questão de gosto pessoal, mas é impossível não perceber que o actor assumiu uma espécie de "piloto automático" que parecia não ter percebido que o seu agente K, o protagonista, estava a viver um conflito interno sobre a questão da existência ou não da alma. Não posso revelar spoilers portanto permitam-me esta análise superficial. Digamos que para alguém que desenterra um segredo potencialmente perigoso para o equilíbrio da humanidade, falta ali qualquer coisa.


Ana de Armas foi uma autêntica revelação. Confesso que não estava familiarizado com o seu trabalho mas, tal como a maioria dos espectadores, fiquei rendido à sua performance fantasiosa de Joi. Aliás, praticamente cada vez que partilhava a cena com Gosling, afastava os holofotes dele e direccionava todas as atenções para ela. O mesmo acontece com o regresso de Harrison Ford, atirando o actor de La La Land (e o canastrão Jared Leto) para fora das luzes da ribalta. Não há qualquer dúvida de que Joi e Deckard são as personagens mais fascinantes desta longa metragem. De realçar ainda pela positiva a Robin Wright e Sylvia Hoeks.


Por muito que dispensasse uma sequela, não vos consigo descrever o que senti assim que a primeira frame aparece no ecrã e a música começa a ecoar pela sala de cinema. A banda sonora de Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch é simplesmente mágica e transportou-me de imediato para a primeira vez em que vi Blade Runner, numa aula de Psicologia, há alguns anos atrás. Foi quase bizarro por sentir nostalgia de algo que nunca vivi, pelo menos na época certa. 


Blade Runner 2049 não chega aos calcanhares do irmão mais velho, mas é uma relíquia visual que merece ser vista de olhos bem abertos. Por ser um filme tão difícil como o primeiro, arrisca-se a ter uma recepção igualmente pouco interessada do grande público, mesmo com um elenco apelativo à la Hollywood e das várias reacções positivas.


Classificação IMDb: 8.6/10
Classificação Ghostly Walker: 8/10


Já viram o filme? Conhecem o original? Se sim, qual o vosso favorito?

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Sound the Alarm ⤫ Album Reviews #34



MUST LISTEN:
⤫ HELL TO THE LIARS
⤫ ROOTING FOR YOU
⤫ EVERYONE ELSE

1. London Grammar  Truth Is A Beautiful Thing

Poucas são as vezes que um grupo musical se consegue infiltrar de tal maneira na minha pele. Os London Grammar são peritos em deixar-me numa espécie de êxtase. Após o aclamado disco de estreia, e um dos meus favoritos de sempre, If You Wait (2013), chega-nos o antecipado, Truth Is A Beautiful Thing.

A Hannah Reid e companhia voltaram a entrar em território melancólico, numa clara continuação do material produzido pela banda no primeiro álbum, mas algo mudou. Com mais garra e comoção, não deixa de existir uma fragilidade e cuidado presentes em cada segmento lírico. Por muito que incomode os fãs e, por mim falo, a pausa de quatro anos fez-lhes bem. As letras abordam uma necessidade de amadurecimento, relacionamentos conturbados e conflitos pessoais que tantos de nós enfrentamos diariamente. Truth Is A Beautiful Thing inova mas sem perder a essência. Embora continue a preferir If You Wait, é impossível não ficar de coração cheio a ouvir algo da magnitude de faixas como "Hell To The Liars" ou "Big Picture".


MUST LISTEN:
⤫ SIT NEXT TO ME
⤫ STATIC SPACE LOVER
⤫ DOING IT FOR THE MONEY

2. Foster The People  Sacred Hearts Club

O terceiro álbum de inéditas dos Foster The People parece sofrer do mesmo problema de tantos outros colegas de profissão. Sacred Hearts Club coloca num pedestal os principais clichés da música actual, demonstrando uma certa perda de identidade. Posto isto, nem tudo está perdido. A leveza do material oferece-nos canções altamente viciantes.

Batidas electrónicas com traços de funk e POP da década de '80 — embora eles defendam a influência do rock psicadélico dos anos 1960 na produção deste disco —, o certo é que não podia ser mais popularucho. Apesar do estilo não ser propriamente inovador, não existem momentos maus. Os refrões são infecciosos e eficazes, e as músicas têm sempre pequenos detalhes que lhes dão vida própria, nem que seja uma gargalhada aqui ou uma percussão ali. Sem dúvida que este trabalho se distingue dos anteriores (Torches [2011] e Supermodel [2014]), pela negativa, mas ao menos sempre vão deixando boas faixas pelo caminho como "Sit Next To Me" e o dueto fenomenal com a actriz Jena Malone em "Static Space Lover".


MUST LISTEN:
⤫ 3WW
⤫ IN COLD BLOOD
⤫ DEADCRUSH

3. alt-J  Relaxer

Relaxer é o regresso triunfante dos alt-J ao universo musical de An Awesome Wave. O principal destaque da banda britânica é, sem dúvida, a voz peculiar de Joe Newman, mas não termina aí. A maneira como as batidas electrónicas pulsantes se interligam com a composição, recorrendo à fragmentação de samples e vozes a que o grupo nos habituou, é impossível não nos recordarmos da épica "Breezeblocks" e outras quantas faixas do seu repertório.

O único problema a apontar nesta colectânea é a previsibilidade. Relaxer é uma aposta forte e perfeitamente executada mas, do início ao fim, fica claro que o trio tentou resgatar a sonoridade que os trouxe à ribalta. A composição é praticamente idêntica na forma como os versos são abordados, o timbre nasalado do vocalista, e batidas cíclicas que se não forem paradas a tempo se tornam um pouco irritantes. Contudo, tudo aqui parece ter sido tratado por mãos de ouro e o resultado é fantástico.


MUST LISTEN:
⤫ NADA
⤫ ME ENAMORÉ
⤫ CHANTAJE
4. Shakira  El Dorado

É incrível mas já se passaram 26 anos desde que a Shakira lançou o seu primeiro disco, Magia, em 1991. Após algum tempo afastada, e dois bebés pelo meio, a cantora voltou com El Dorado. Este 11º disco marca o retorno às suas origens.

El Dorado é uma verdadeira carta de amor à América Latina. Não é por acaso que o título faz referência à cidade de ouro perdida da Colômbia. Maioritariamente cantado em espanhol, com apenas quatro faixas em inglês e uma em francês, este trabalho ficou muito aquém das expectativas. Talvez o facto de contar com tantas colaborações já saturadas quebre um pouco o efeito "novidade".

Não há dúvida que a Shakira está atenta às tendências musicais do mercado latino. Lançou-se de cabeça aos ritmos dançantes e repletos de sensualidade. Por se tratar de um colecção tão distinta entre estilos — combina o regaeton, POP, electrónica, bachata e baladas — não parece ser muito coeso. No entanto, esta mixórdia musical mantém o ouvinte expectante por descobrir o que se segue. "Nada" é a melhor canção do álbum.


(+) ALBUM REVIEWS (HERE)

Já ouviram algum dos quatro álbuns? Qual é o vosso favorito?

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

5 Hábitos nojentos que me fazem morrer por dentro


1. Folhear aquático

Porquê? Porque é que isto existe e é tão comum? Que alminha é que se lembrou de levar a porcaria dos dedos à boca para virar a página de um livro? Compreendo a mecânica da acção, mas não invalida o facto de ser uma valente javardice. Já me deparei com folhas com vida própria e que não queriam ser viradas por nada, mas há sempre uma opção que não inclua saliva na equação. É simplesmente nojento, especialmente quando se trata de um objecto de uso comum ou que vai ser passado a outra pessoa. Digamos que no meu trabalho isso acontece com as facturas e quando chega a parte de segurar nelas, é todo um jogo à missão impossível para me certificar que não toco na área infectada. Por favor, coloquem um fim a isto!

2. Lenços manuais

Não consigo perceber em que altura da vida vos pareceu aceitável assoarem-se para as vossas mãos sem recorrer a um lenço de papel mas precisam de ajuda. A não ser que tenham sido criados por lobos, calculo que os vossos pais devessem fazer o mesmo, só pode. Quantas, mas quantas vezes já testemunhei esta selvajaria em público? No meio da rua, nos transportes públicos, you name it! De tempos a tempos lá me deparo com um ser que resolve utilizar a palma da mão como recipiente para a ranhoca, que depois é estrategicamente limpa nas calças ou "enrolada" de modo a desfazer-se e cair no chão. Tive que fazer uma pausa para não vomitar. Acho que ficamos por aqui.

3. 'rretas no ginásio

O que fazem nas vossas casas é convosco, mas quando frequentam um espaço semi-público e partilhado por outras pessoas, há que ter o mínimo de discernimento. Em cinco dias, são quatro aqueles em que sou alvo de violência sonora enquanto tento descontrair no duche. Numa espécie de chamamento animalesco, ecoam pelos balneários roncos absolutamente execráveis de homens que pouca ou nenhuma educação devem ter. Evidentemente que ninguém está imune a secreções nasais mais intensas, especialmente quando estamos constipados, mas isso não significa que seja aceitável dar todo um espectáculo de horrores em frente a uma plateia que não comprou bilhete. 

4. Unhas maltratadas

É um pouco hipócrita da minha parte falar sobre unhas uma vez que às vezes ainda dou por mim a roer as minhas, mas permitam-me que explique. Não sou o maior fã de pés, é sabido, portanto como se não bastasse ter que levar com eles no Verão, se ainda por cima as pessoas têm unhas nojentas... barf. Não dá, não consigo. Repugna-me imenso e acho inacreditável como é que não se incomodam minimamente por andarem a exibi-las ao mundo. O mesmo aplica-se às mãos. Uma coisa é roer as unhas, outra é quando estão claramente sujas ou a precisar de ser cortadas asap. Infelizmente ambas as situações são extremamente regulares tendo em conta algumas pessoas com que tenho que me relacionar no dia-a-dia. Haja estômago.

5. Grutas de cera

Quanto a vocês não sei mas, não consigo sair à rua sem ter a certeza que os meus ouvidos estão compostos. Aliás, é de conhecimento público que não se deve limpar em demasia o interior das nossas orelhas porque é bastante saudável ter uma pequena camada de cera a proteger os tímpanos. Dito isto, há limites. Não há nada mais nojento que estar em plena hora de ponta no metro e ter a centímetros da minha cara uma orelha com todo um festival de verão lá acampado. Qualquer pessoa com uma higiene minimamente cuidada, não deixaria as coisas chegarem àquele ponto por se esquecer um dia de utilizar cotonetes. Obras daquelas requerem tempo e muito desleixo. Ou então claro, uma condição física que produza quantidades astronómicas de cera.


Quais são os hábitos nojentos que não toleram? Temos pontos em comum?

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