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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

TGW Awards: Top 20 Movies of 2O17


Mais vale tarde do que nunca, não é? Prometido é devido e, finalmente, habemus "TOP 20 MOVIES OF 2017"! Vejam isto como a minha prenda de Valentine's Day para vocês. Se na edição anterior a falta de cooperação da internet foi o principal factor para o ligeiro atraso na divulgação da lista, desta vez foi um misto disso com falta de tempo. Confesso que me incomoda não ter tido a oportunidade de ver o Phantom Thread, mas enfim. Mais uma vez, as escolhas não se restringiram ao território norte-americano. Estão representados países como Inglaterra, Suécia, Coreia do Sul e Geórgia. We're still global, baby.

À medida do que tem acontecido nos últimos anos, é um pouco irritante sentir que passamos 10, 11 meses a pão e água e de repente chegamos aos últimos dois e somos recebidos com uma verdadeira ceia de natal cinematográfica. Os filmes deveriam ser produzidos pelo amor à arte e não com prémios em mente. Compreendo perfeitamente a necessidade de validação da crítica e a questão económica por trás disso, mas se algo for realmente bom, pode perfeitamente ser lançado em Fevereiro. Enfim, ainda que os o top cinco fosse praticamente fácil de elaborar, o restante foi mais complicado dada a oferta. Por esse mesmo motivo, resolvi destacar outros 10 que estiveram quase lá.

Com os Óscares mesmo aí à porta, sinto-me mais preparado do que nunca para defender os meus favoritos com unhas e dentes, especialmente no departamento das interpretações. Não se preocupem, deixarei as minhas previsões/opiniões para uma publicação exclusivamente dedicada ao tema, mas já sei que não vou concordar com muitos dos vencedores.

Relembro que o TOP 20 que se segue baseia-se na lista de filmes a que assisti lançados oficialmente em 2017. Ou seja, casos como "La La Land" que estreou nos Estados Unidos em 2016 e em Portugal só no ano seguinte, não contam para a estatística.


MENÇÕES HONROSAS: KONG: SKULL ISLAND | ATOMIC BLONDE | THE BEGUILED

#30. The Florida Project
#29. All The Money In The World
#28. Molly's Game
#27. Colossal
#26. Baby Driver
#25. The Killing of a Sacred Deer
#24. Wonder Woman
#23. Marjorie Prime
#22. Stronger
#21. Beatriz at Dinner

.20.. Chemi Bednieri Ojakhi (My Happy Family)
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Por vezes as histórias mais simples são as que mais impacto têm. Chemi Bednieri Ojakhi, "My Happy Family", na versão inglesa, é um desses exemplos. Aos 52 anos, uma mãe esposa choca a sua família tradicional georgiana ao anunciar que vai sair de casa para morar sozinha. Sem nenhum motivo aparente que justificasse tal decisão, é incrível perceber como muitas vezes vivemos de aparências, preocupados com o que os outros vão pensar.

Embora a narrativa seja acessível, é notável a forma como aborda a quebra do estigma patriarcal num país conservador, criando uma discussão importante sobre o papel da mulher e as suas escolhas, seja na Geórgia ou em qualquer lugar do mundo. Realista, triste, impactante e reflexivo, "My Happy Family" prima pela performance crua de Ia Shugliashvili. A actriz conseguiu a proeza de expressar um mar de sentimentos através de silêncios, suspiros e uma calma fora de série. Tudo acontece a um ritmo muito natural, coerente e credível. Uma pena que não tenha recebido a atenção merecida.


.19.. The Battle of The Sexes
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Como o título indica e bem, The Battle of the Sexes gira em torno do duelo entre a campeã de ténis Billie Jean King e o ex-campeão Bobby Riggs. O objectivo era provar que as mulheres podem ser tão competentes e interessantes de assistir do que os homens. Uma discussão no mínimo peculiar por continuar tão actual. É certo que o filme tem como plano de fundo o evento desportivo, mas a sua abordagem é bastante humana. Enquanto se preparam para jogar um contra o outro, tanto King como Riggs estão a passar por problemas pessoais tão ou mais complicados que os profissionais. Ela percebe que é lésbica e tem que lidar com o marido, já o opositor arrisca-se a ficar divorciado se não parar de fazer apostas. Neste campo, as interpretações de Emma Stone e Steve Carrell foram  convincentes ainda que longe da perfeição.

Apesar de claramente feminista, esta produção não é defensora da supremacia feminina. Billie limita-se a defender a igualdade entre sexos. Nunca contra-ataca a ideia de que os homens são superiores ao dizer que a verdade é o inverso, ou seja, que as mulheres é que são. Limita-se a afirmar que as mulheres são tão boas quanto os homens e que por isso devem ter os mesmos direitos. Algo tão simples e lógico mas que, hoje em dia, ainda muitos não conseguem entender.

.18.. A Ghost Story
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Escrito e dirigido por David Lowery, A Ghost Story é um pesadelo contínuo, protagonizado por um fantasma que vive a pior das dores: assistir à partida do seu amor enquanto ele permanece preso ao que construíram. Antes de mais, é importante compreender a proposta desta obra, que tenta justificar a existência daqueles seres, através de uma linguagem poética e sensível. A vida, ou morte, algo supostamente eterno, é aqui questionado de uma maneira sublime. Sem cair em estereótipos, estamos perante muito mais que uma simples trama baseada numa premissa diferente. A cima de tudo, mais do que um estudo sobre luto, perda e solidão, é uma representação sobre o significado da existência humana, seja ela mortal ou imortal. É de cortar o coração a impotência do fantasma de Casey Affleck (ew, I know) ao testemunhar a dor de perda da mulher (Rooney Mara). Sim, é uma nadinha filosófico, mas visualmente estrondoso. Confesso que aliado ao Marjorie Prime (vi os dois seguidos), deu-se uma sessão de choradeira por pensar que um dia todas as pessoas na minha vida vão morrer. 

.17.. The Disaster Artist
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Quando pensava que já tinha visto tudo, surge este projecto para me provar o contrário. The Disaster Artist é um filme que retrata os momentos da produção de The Room. O produtor e protagonista James Franco encarna Tommy Wiseau, enquanto o seu irmão, Dave Franco, veste a pele de Greg Sestero, o produtor e actor que representou o papel de "Mark" no pior filme da história do cinema. Sabem aqueles cromos que iam ao Ídolos convencidos que sabiam cantar? É mais ou menos isso mas no campo da representação. A incapacidade de Wiseau em escrever, realizar, representar e produzir é de tal forma visível que não é surpresa o desespero que o levou a idealizar e financiar o seu próprio projecto (estimado em 6 milhões de dólares de custos).

Hilariante do início ao fim, J Franco brilha com aquele que é o seu melhor papel até à data. É incrível o quão fieis são as cenas fictícias em relação ao original. No final elaboraram uma montagem com ambas filmagens lado-a-lado e chega a ser surpreendente constatar como tudo bate certo. Não é por acaso que venceu o Globo de Ouro na categoria de "Melhor Actor - Comédia", e não fossem as alegações de carácter sexual que entretanto surgiram contra ele, estaria com certeza nomeado para um Óscar. Enfim.

.16. The Square
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Christian é o recém-nomeado curador do Museu de Arte Contemporânea de Estocolmo. Ao organizar a sua primeira grande exposição, decide investir na obra que dá título ao filme: um quadrado luminoso instalado no chão, e dentro do qual todas as pessoas se devem tratar de igual forma e com gentileza. Pretensioso e altamente irónico, The Square foi um sucesso no Festival de Cannes, recebendo a Palma de Ouro. Sem perder tempo com rodeios, esta obra resulta como uma espécie de símbolo de auto-crítica, sobre a hipocrisia entre a arte e os seus apreciadores, entre o limite do que é admirável e do que é repulsivo.

Um dos grandes pontos altos desta longa-metragem é a cena de uma festa repleta de convidados de "elite", que é interrompida por uma performance no mínimo... estranha. Gravada praticamente sem cortes, esta parte da acção não só é absolutamente genial como ataca outras das grandes questões presentem em The Square: o comportamento humano diante da vulnerabilidade alheia. Não é por acaso que ao longo do filme somos confrontados planos de mendigos a interagirem com personagens "abastadas" que, como na vida real, preferem ignorar a tragédia que eles representam, para não serem obrigados a rebentar a bolha em que vivem e pensarem sequer naquilo. 

.15.. Good Time
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Dois irmãos fazem um assalto a um banco que corre mal e, quando um deles é detido, o outro vai fazer tudo para o libertar. Um pouco ao estilo de Victoria, que em 2015 vigorou esta mesma lista na 10ª posição (AQUI), Good Time é cinema com nervo, pujança e com uma dose de imprevisibilidade que há algum tempo não via numa obra do género. A um ritmo alucinante, acompanhamos o protagonista naquela que é a pior noite da sua vida. É incrível ver até que ponto o ser humano é capaz de ir para salvar alguém que ama. Simultaneamente, foi surpreendente poder ver um Robert Pattinson num registo completamente diferente. Longe estão os dias da sua interpretação apagada enquanto um vampiro que brilhava ao sol. Arrisco-me a dizer que este é o melhor papel da sua carreira, e olhem que não o digo de ânimo leve.

.14.. The Post
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Meryl Streep, Tom Hanks e Steven Spielberg. Preciso dizer mais alguma coisa? Numa altura em que nos Estados Unidos o termo "fake news" se tornou viral, The Post é uma obra incrivelmente relevante. Aqui, Nixon e a sua administração tentam impedir que o The New York Times e o Washington Post publiquem relatórios confidenciais sobre o conflito no Vietnam. Streep representa Katherine Graham, a directora e editora do segundo jornal durante o período que o filme retrata. Uma mulher que arcou a responsabilidade de comandar o jornal após o suicídio do seu marido, tudo isto rodeada de homens que a aconselham e orientam. Apesar da sua clara fragilidade inicial, com o desenvolvimento da acção começamos a ver uma clara mudança de atitude. Num mundo de homens, Graham afirma-se como uma líder carismática e sem precisar recorrer a demonstrações de poder para se fazer ouvir. Meryl Streep volta a presentar-nos com uma prestação genial, conseguindo transmitir um quantidade irreal de emoções num único papel. Também Hanks, juntamente com o restante elenco secundário, ajudam a elevar esta produção a um nível de mestria cinematográfica.

.13.. Okja
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Mila é uma jovem camponesa coreana cuja melhor amiga é uma super-porca baptizada de Okja. A criatura faz parte de um projecto da Mirando Corporation, uma multinacional da agro-química que pretende iniciar uma produção em massa deste tipo de animais para comercializar a sua carne. Quando a porca é levada pela empresa para Nova Iorque, a menina vai fazer tudo no seu alcance para a salvar. Confesso que quando li a sinopse pensei is this for real? Mas quando vi que a Tilda Swinton e o Jake Gyllenhaal resolvi arriscar e ainda bem que o fiz. Não só fiquei colado ao ecrã como lavado em lágrimas quando terminou. Apesar de algumas falhas na narrativa e de prestações extremamente exageradas, a história não deixa de ser comovente.

O filme não pretende começar uma campanha pró-vegan; a própria protagonista come carne. Existe sim uma abertura de debate sobre a forma como a indústria lida com a vida dos animais para o consumo humano e o facto de ignorarmos todos os maus-tratos enfrentados por estes seres em prol de um bom churrasco ou cozido à portuguesa. Apesar da importante mensagem, a longa-metragem acaba por fazer a mesma coisa que critica, ou seja, todos nós temos consciência dos problemas e actos cruéis que ocorrem na indústria animal, mas continuamos a viver sem grandes preocupações, tal e qual como a protagonista desta fábula.

.12.. Darkest Hour
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

É complicado separar Darkest Hour da produção de Christopher Nolan sobre a crise de Dunquerque. Ao contrário do segundo, aqui o conflito bélico encontra-se visivelmente ausente. O campo de batalha torna-se terreno político, enquanto somos apresentados aos primeiros meses de Winston Churchil como Primeiro Ministro do Reino Unido numa altura em que a Alemanha Nazi estava a vencer a II Guerra Mundial. Através de um olhar dinâmico e histórico dos bastidores do Parlamento britânico durante a invasão Alemã, somos mergulhados em jogos de poder, traições, acordos, e tudo mais. Com momentos da acção que pretendem descaradamente evocar emoções no público e sim, refiro-me à disparatada cena do metro, qualquer defeito narrativo é perdoado graças à prestação soberba de Gary Oldman. Com um currículo invejável, é um verdadeiro crime nunca ter recebido aquele que é o principal prémio de representação, um Óscar. Estou certo de que este papel vai mudar isso e ai de quem lhe negar tal mérito.

.11.. Dunkirk
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Dunkirk conta como foi a retirada das tropas aliadas de Dunquerque para a Grã-Bretanha durante a II Guerra Mundial. Cercadas por tropas alemãs, na praia estavam centenas de milhares de tropas inglesas, francesas e belgas, à espera de salvação. O filme retrata exactamente essa luta pela sobrevivência no meio do caos. O trio de protagonistas Fionn Whitehead, Anneurin Barnard e Harry Styles - sim, é mesmo quem estão a pensar -, é a escolha perfeita por se tratarem de rostos "novos", combatendo assim o vício que Hollywood tem em convocar os Tom Hardy's mais maduros. Ao fim ao cabo, a guerra não é só travada por esse tipo de personagens. Inglória e injusta, também é feita por jovens sem muita ou qualquer experiência e que lutam pela sua pátria. Impossível falar desta produção sem referir a tremenda fotografia de Hoyte Van Hoytema (Interstellar, Her).

.10.. Logan
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

O ano é 2029. Já não nascem mais mutantes e Logan vive sob o seu nome verdadeiro: James Howlett, a poupar dinheiro para proteger o cérebro mais poderoso do mundo e que sofre de uma doença degenerativa. O Professor Xavier está demente e as consequências do descontrolo podem ser fatais para a Humanidade.

Apesar da X-Men franchise ser uma das minhas favoritas, nunca pensei que tivessem a capacidade de criar algo tão rico como este filme. A sério, ainda estou em choque com a qualidade. Satisfatoriamente violento, a certa altura Logan torna-se numa espécie de roadtrip movie, numa mistura entre os westerns clássicos de Clint Eastwood e a acção distópica de Mad Max. Não perde tempo a fazer um resumo do que aconteceu no passado. É uma história escrita, do início ao fim, para os verdadeiros fãs da saga e não podia estar mais satisfeito. A relação quase de pai/filho entre o Hugh Jackman e o Patrick Stewart é igualmente dramática e absolutamente ternurenta. A química é tão natural que chega a ser comovente quando nos apercebemos que ambos vão deixar este universo. Sem revelar demasiado, a cena em que vemos Logan a subir com o  Prof. Xavier ao colo, para o deitar, é das mais queridas dos últimos tempos, especialmente num filme de super-heróis!

O final deixa-nos com um nó no peito. Hugh Jackman é e sempre será Logan. Deu corpo e alma a esta personagem e ao fim de 18 anos, despediu-se com chave-de-ouro, no melhor filme alguma vez produzido na franquia.


.09.. God's Own Country
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Francis Lee escreve e realiza a sua primeira longa-metragem sobre dois rapazes que se conhecem num cenário rural no norte da Inglaterra. Quando o romeno Gheorghe vem trabalhar temporariamente para ajudar a quinta da família de Johnny, os dois jovens são forçados a passar uma semana nos montes, algo que vai despoletar um intenso conjunto de emoções suprimidas no ambiente que os rodeia. Pulando toda a questão de "descoberta sexual", o ponto de partida é a conduta heteronormativa e a necessidade de não mostrar afectos. Embora o protagonista não recorra a apps de encontros, o seu comportamento segue a mesma lógica. Inicialmente, devido à pressão colocada pelo pai que devido a um problema físico, está incapacitado de trabalhar, Johnny embebeda-se todas as noites para fugir à realidade solitária onde foi forçado a ficar. Ao ver amigos a partir para a cidade, para estudar na faculdade, a única realidade que conhece é o trabalho na quinta. Quando finalmente quebra as barreiras emocionais e entrega o seu coração a alguém, o que se sucede é uma simples mas marcante história de amor. Com planos óptimos e prolongados, por vezes até de mais, confesso que não me incomodou. Ajuda na construção estética da beleza solitária que é a vida no meio rural. O final é algo que raramente vemos em produções do género, o que só por si é um plus.

.08.. The Big Sick
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

The Big Sick é uma comédia romântica que quebra tradições e convenções. Kumail Nanjiani e Emily V. Gordon decidiram contar a sua história, onde a multiculturalidade e a reflexão sobre religião ocupam os lugares centrais da trama. Talvez por se tratar de algo real, esse toque pessoal confere uma magia ímpar ao filme. Bastante tocante, é incrível testemunhar a força do amor deles e como conseguiram ultrapassar barreiras culturais, médicas e humanas, para alcançarem o tão desejado e mais que merecido final feliz. Mesmo com uma evidente componente dramática, a trama nunca cai na tentação do melo-dramatismo. Os momentos mais "sérios" são equilibrados pelo romance e, a cima de tudo, por uma refrescante vertente humorística. Detesto recorrer a este adjectivo mas, é "fofinho". Escusado será dizer que esta não é a típica comédia de sábado à tarde. É um filme com conteúdo e que se preocupa em manter uma linha narrativa com pés e cabeça, mesmo que por vezes nos custe a acreditar que as coisas tenham mesmo acontecido daquela maneira. O elenco é fantástico e merece todos os elogios possíveis.

.07.. I, Tonya
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

I, Tonya, é-nos contado na primeira pessoa, pelos seus protagonistas, numa espécie de The Office mas em tom de interrogatório, algo fantástico para apreciadores de dramas recheados de momentos cómicos. Não é por acaso que o filme venceu o prémio de "Melhor Comédia" nos Critics' Choice Awards e Golden Globes. Tonya, interpretada por Margot Robbie (o melhor papel da sua carreira), conta como foi parar ao mundo da patinagem artística com apenas três anos graças à sua mãe, Lavona Harding (interpretada de forma magistral pela Allison Janney que, já agora, TEM QUE GANHAR O ÓSCAR DE MELHOR ACTIRZ SECUNDÁRIA). Quase de forma instantânea sentimo-nos na obrigação de simpatizar com Tonya. Quer dizer, com uma mãe assim, estavam à espera do quê? Lavona é uma personagem, no sentido literal da palavra. Excêntrica, fria, implacável e insuportável. Os seus melhores amigos são um periquito que tem ao ombro, uma bomba de oxigénio e os cigarros. Juntem à equação Jeff, um zero à esquerda que começa a bater na jovem patinadora mal se casam e está preparada a receita para o desastre.

Tonya é uma redneck norte-americana que sonha um dia chegar aos jogos olímpicos. Não sendo a mais bonita, nem a mais bem vestida, tem a vida dificultada neste universo "mágico" da patinagem artística. Quando é implicada num ataque à adversária Nancy Kerrigan, não só perde as chances de algum dia conquistar uma medalha de ouro como é banida de voltar a pratica a modalidade de forma profissional. Uma das grandes surpresas de 2017 e que não podem, de maneira nenhuma, perder.

.06.. Blade Runner 2049
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

A acção toma lugar trinta anos após os acontecimentos em Blade Runner: Perigo Iminente, na versão portuguesa. Humanos e replicantes continuam a coexistir, embora a linha que os separa seja cada vez mais ténue. Os Blade Runners continuam a perseguir e "reformar" replicantes ilegais mas, até que ponto serão estes alvos realmente robôs? E afinal, quem é verdadeiramente humano? A premissa original de Hampton Fancher e David Peoples é, assim, preservada. Não é segredo o meu amor pelo original e desagrado com as notícias de uma sequela (AQUI). Dito isto, tenho que dar a minha mão à palmatória e admitir que Blade Runner 2049 esforçou-se ao máximo para manter a visão de Ridley Scott. Através de paisagens futuristas, fruto de um genial trabalho de fotografia (Roger Deakins) e cenografia (Dennis Gassner), é assegurada a ambientação sombria e iluminação néon que tanto cativaram os fãs desde a década de '80.

O argumento não é revolucionário, mas oferece ideias que nos deixam a remoer a perpétua problemática do que significa estar vivo e consciente. O ritmo da narrativa é lento, algo arriscado num filme de quase três horas, mas os pontos altos justificam tal decisão. Confesso que nem dei pelo tempo passar. Estava de tal modo imerso na acção e maravilhado com a vertente visual que pouco me importou o facto de nem ter tido tempo para almoçar antes da sessão. De realçar o trabalho de Ana de Armas, a revelação desta obra. Tal como a maioria dos espectadores, fiquei rendido à sua performance fantasiosa de Joi. Aliás, praticamente cada vez que partilhava a cena com Gosling, afastava os holofotes dele e direccionava todas as atenções para ela. O mesmo acontece com o regresso de Harrison Ford, atirando o actor de La La Land (e o canastrão Jared Leto) para fora das luzes da ribalta. Não há qualquer dúvida de que Joi e Deckard são as personagens mais fascinantes desta longa metragem.

.05.. The Shape of Water
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Colocar The Shape of Water na quinta posição dos "Melhores Filmes de 2017" é agridoce. Confesso que este é um dos tops 5 mais fortes dos últimos anos e, como tal, seria injusto não referir que este número acaba por ser simbólico e esta produção poderia muito bem ocupar um lugar no pódio. Trata-se de um drama romântico de fantasia do brilhante Guillermo Del Toro, que deu corpo e alma a mais uma épica produção que vai entrar para os marcos da história cinematográfica. Sim, I said it. Dos cenários à criatura, é impossível dissociar o génio mexicano a este projecto, tamanha é a evidência do seu estilo e ideias criativas aqui presentes. Sendo uma obra à Del Toro, não podia faltar a refrescante forma como explora a fantasia por entre temas sérios, como de resto já tinha acontecido no maravilhoso El Labirinto Del Fauno.

A história desenrola-se num laboratório secreto de alta segurança do governo dos Estados Unidos, onde trabalha a solitária e muda Elisa. Presa a uma vida monótona, a sua existência parece ganhar um propósito quando trava amizade com o objecto de estudo de uma experiência secreta. Mesmo sem referir uma única palavra, Sally Hawkins é fantástica no papel principal e merece a nomeação ao Óscar. De resto, o elenco que conta ainda com performances a cima da média de Octavia Spencer, Richard Jenkins e Michael Shannon, elevam ainda mais a qualidade desta obra. Talvez os mais cépticos não vão saber apreciar a beleza aqui retratada, confundido o enredo com uma história de amor com traços de bestialidade, mas tal pensamento seria um erro. Del Toro criou uma extraordinária narrativa que apela ao romance, sim, mas também ao drama, suspense e até acção.

.04.. Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Três cartazes são implantados à beira de uma estrada remota com uma mensagem que visa desafiar as autoridades locais de uma cidade nas profundesas dos Estados Unidos. Cidade essa assombrada por um misterioso rapto e violação que terminou em tragédia para uma adolescente. De macacão azul e bandana, a mãe, é uma óbvia alusão a Rosie the Riveter, ícone cultural associado ao movimento feminista norte-americano. É uma mulher que luta contra uma sociedade que embora apoie e compreenda a sua causa, sente-se no direito de lhe dizer como deve ou não expressar a sua dor. Não há palavras que possam descrever o desempenho de Frances McDormand neste filme. É a raiva, injustiça e impotência personificadas e daqui a umas semanas receberá uma estatueta dourada por isso.

Apesar da forte carga emocional, é interessante ver a forma quase banal como o racismo, sexismo e homofobia são tratados, como se fossem regionalismos, aqui personificados pelo agente Dixon (Sam Rockwell). Esta escolha narrativa é fervorosa, dizendo muito sobre a forma como a justiça é servida nos confins da terra do Uncle Sam. A par com a Mildred, a personagem de Rockwell é um dos pontos altos da terceira longa-metragem, como realizador, de Martin McDonagh.


.03.. First They Killed My Father
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

First They Killed My Father é uma adaptação da história de vida da activista dos direitos humanos Loung Ung, abordando o regimo dos Khmers Vermelhos através da sua experiência. O filme decorre no Camboja, em 1975, e é um retrato dos sacrifícios que Loung e a sua família, à semelhança de muitos outros cambojanos, tiveram de fazer para sobreviverem e permanecerem unidos durante a revolução comunista no sudeste asiático. Aviso-vos já, não chorava tanto com um filme desde que vi o Lion, em 2016, e que curiosamente também ocupou a terceira posição na minha lista de Best Movies desse ano.

O quinto filme realizado por Angelina Jolie não estreou no cinema, mas sim na Netflix, o que talvez explique a injustiça tremenda que sofreu ao não ser indicado para um único Óscar. Revolta-me imenso que as elites descartem uma obra só por ter sido produzida para um serviço de streaming. Continuando, o ponto forte desta obra é o facto de vermos a guerra através dos olhos de uma criança, a pequena Loung que aos 7 anos vê o seu mundo desabar (brilhantemente interpretada pela jovem Sareum Srey Moch). Violento, comovente e cru, são alguns dos adjectivos que melhor descrevem a acção. O trabalho forçado, a fome e militarização desumana são algumas das piores amostras daquilo que o ser humano é capaz, e observá-las do ponto de vista de uma menina sem rumo, é simplesmente chocante. O uso de close-ups, panorâmicas e shots aéreos, juntamente com a fotografia e banda sonora ajuda a tornar esta numa das melhores produções de guerra alguma vez produzidas.

.02.. Lady Bird
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Christine McPherson é uma adolescente irreverente que se auto-intitula Lady Bird. A estudar num colégio católico nos subúrbios de Sacramento, na Califórnia, a jovem quer alcançar muito mais do que aquilo que o futuro lhe pode reservar. Contra a vontade dos pais, que em plena crise económica se deparam com problemas financeiros, ela concorre a uma bolsa de estudo para uma faculdade em Nova Iorque, a terra das grandes oportunidades. É no último ano do Secundário que vai ter que aprender a lidar com a família disfuncional, amigos e paixões desastrosas, enquanto se torna numa mulher.

Escrita e realizada por Greta Gerwig, é uma história aparentemente simples mas extremamente bem contada e interpretada. Independentemente do género sexual ou idade, é impossível não nos revermos num único momento que seja naquela relação de braço-de-ferro constante entre mãe e filha, e na transição da adolescência para a vida adulta. Sim, é uma coming of age story, mas seria um erro reduzi-la a isso. A dramedy que comoveu milhares de espectadores é a prova de que não são necessários grandes artifícios para conseguir um produto de qualidade. Foca-se nas relações que nos moldam, as crenças que nos definem e a beleza inigualável do lugar a que chamamos casa.  Saoirse Ronan volta a presentear-nos com uma interpretação digna de um Óscar, e lamento que a concorrência seja tão forte este ano, se não o prémio seria para ela; assim como Laurie Metcalf que me fez sentir tão culpado pela vezes que embirrei com a minha mãe quando a única coisa que ela queria era o meu bem.

.01.. Call Me By Your Name
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

É no Verão de 1983, no norte de Itália, que conhecemos a história do primeiro amor de Elio Perlman. Enquanto passa férias na casa de campo da família, o adolescente de 17 anos, transcreve e toca música clássica, além de se divertir com a amiga Mariza. Oliver, é um estudande norte-americano que vem ajudar o Mr. Perlman, pai de Elio, numa pesquisa. É com a chegada do jovem de 24 anos que a vida aparentemente aborrecida de Elio ganha um novo sentido. O amor.

Pedro Almodóvar não o podia ter dito melhor, «Tudo é bonito, atraente, desejável e emocionante neste filme. Os meninos, as meninas, os pequenos-almoços, as frutas, os cigarros, as piscinas, as bicicletas, as danças ao ar livre, os anos 80, as dúvidas e a entrega dos protagonistas, a sinceridade de todos os personagens, a relação do protagonista com seus pais. A aposta dos autores (André Aciman, James Ivory e Luca Guadagino) pela paixão dos sentidos. A luz do norte da Itália e especialmente Thimotée Chalamet, a grande revelação do ano.» Faço minhas as suas palavras.

Um romance de Verão, sim. Nada de novo em termos narrativos, excepto o facto de termos dois homens no papel de amantes. Tendo a arte e música clássica como pano de fundo, esta obra consegue ser refrescantemente moderna e simultaneamente fiel à década que narra. As paisagens e cenários são tão deslumbrantes que dei por mim perdido numa viagem de bicicleta infinita pelo território italiano (ainda que nem o saiba fazer).

Call me by your name, and I'll call you by mine, diz um amante para o outro no pico do êxtase que é a sensação de querermos pertencer de corpo e alma a outra pessoa. O filme consegue capturar isso na perfeição. O núcleo de actores é fantástico, destacando para além do duo de protagonistas, Michael Stuhlbarg, que desempenha o pai de Elio. Num dos momentos mais marcantes da trama, o diálogo final entre ele e Thimotée Chalamet é simplesmente avassalador. Sentimento esse que só piora com a última cena, desempenhada por Elio, que juntamente com a banda sonora do Sufjan Stevens destroem o resquício de vida que existia nos nossos corações.

Call Me By Your Name é uma ode mágica ao primeiro amor e não deixará ninguém imune.


Já viram alguns destes filmes? Qual ou quais foram os vossos favoritos de 2017?

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

TGW Awards: Top 50 Albums of 2O17


Vamos fingir que não passou um absurdo de tempo desde a última publicação do especial "Ghostly Walker Awards", e saltamos directamente para a penúltima lista. Se têm prestado atenção, sabem que partilhei o "TOP 10 EP's", "TOP 20 UNDERRATED SINGLES", "TOP 10 MUSIC VIDEOS" e desta vez até me aventurei por um "TOP 20 SINGLES". Para encerrar a categoria de Música em grande, literalmente, porque não um TOP 50 com os melhores álbuns que ouvi no ano passado? Sim, voltei a cometer esta loucura! Até tinha material suficiente para #100 mas, bye Felicia.

Não me canso de frisar que não passo de um mero crítico amador, como tantos de vocês, portanto não levem a peito alguma das minhas opções. Só porque uma revista da área elege determinados discos como o Santo Graal da indústria, não significa que concorde ou me deixe influenciar por isso. Esta é a principal razão pela qual não coloquei o "DAMN" do Kendrick Lamar. Como não aprecio o estilo, prefiro não considerá-lo do que julgá-lo injustamente. Infelizmente o pensamento em "comboio" é bastante frequente no que toca a este tipo de tarefas. Talvez seja por isso que aprecio tanto esta lista. Por norma é fácil distinguir quais os álbuns que consigo ouvir do início ao fim sem me cansar e aqueles que ao fim de três canções já me deixaram farto. Disto isto, é importante realçar que isso não significa que, por exemplo, um disco que se encontre em #42 seja necessariamente pior ou menos tolerável que outro em #22.

Tenho plena consciência que colocar uma Halsey a cima do Sam Smith seja uma afronta para muitos mas, independentemente de ter em consideração questões técnicas, tudo se resumo a qual disco gostei mais de ouvir. Não é um concurso de popularidade mas de gosto pessoal/qualidade. Cada pessoa tem as suas preferências e como tal, é normal que discordem de algumas classificações ou omissões.

Se o vosso favorito não se encontrar na lista, é possível que não o tenha ouvido. As minhas músicas favoritas de cada álbum estão indicadas como "MUST LISTEN".

Sem mais demoras, let the games begin!

MENÇÕES HONROSAS: SUFJAN STEVENS (...) - "PLANETARIUM" | GOLDFRAPP - "SILVER EYE" | DRAKE - "MORE LIFE" | CHARLI XCX - "POP 2" | ED SHEERAN - "DIVIDE" | SHANIA TWAIN - "NOW" | RACHEL PLATTEN - "WAVES" | SHAKIRA - "EL DORADO" | TERROR JR. "BOP CITY 2: TERRORISING" | FERGIE - "DOUBLE DUTCHESS"


#50. Pabllo Vittar  Vai Passar Mal
#49. Loreen — Ride
#48. Zara Larsson — So Good
#47. Sir Sly — Don't You Worry, Honey
#46. Bleachers — Gone Now
#45. Miley Cyrus — Younger Now
#44. Austra — Future Politics
#43. Paloma Faith — The Architect
#42. Cashmere Cat — 9
#41. Aquilo — Silhouettes

#40. Nelly Furtado — The Ride
#39. HURTS — Desire
#38. Imagine Dragons  Evolve
#37. Mac DeMarco — This Old Dog
#36. Foster The People — Sacred Hearts Club
#35. Tyler, The Creator — Flower Boy
#34. The National — Sleep Well Beast
#33. Mura Masa — Mura Masa
#32. Sam Smith — The Thrill Of It All
#31. Kehlani — SweetSexySavage

#30. Katy Perry — Witness
#29. HAIM — Something To Tell You
#28. Kelly Clarkson — Meaning Of Life
#27. Fifth Harmony — Fifth Harmony
#26. Susanne Sundför — Music For People In Trouble
#25. alt-J — Relaxer
#24. Taylor Swift — Reputation
#23. P!nk — Beautiful Trauma
#22. Sevdaliza — ISON
#21. MUNA — About U

#20. Halsey — Hopeless Fountain Kingdom
#19. Betty Who — The Valley
#18. Tove Lo — Blue Lips (Lady Wood Phase II)
#17. London Grammar — Truth Is A Beautiful Thing
#16. The XX — I See You
#15. Charli XCX — Number 1 Angel
#14. Khalid — American Teen
#13. Arca — Arca
#12. Dua Lipa — Dua Lipa
#11. Perfume Genius  No Shape

.10.. Demi Lovato  Tell Me You Love Me
MUST LISTEN: YOU DON'T DO IT FOR ME ANYMORE | TELL ME YOU LOVE ME | CRY BABY | DADDY ISSUES | RUIN FRIENDSHIP

Após anos a batalhar para conseguir o mínimo de reconhecimento pelo seu talento, chegou finalmente a altura da Demi Lovato brilhar. Tell Me You Love Me é o sexto álbum da jovem norte-americana e o melhor da sua carreira.

Neste novo projecto, ela quebra o molde estereotipado no qual estava inserida há imenso tempo, mostrando um crescimento incrível. Não só fez as pazes consigo mesma como aceitou a sua sexualidade de braços abertos. O resultado é um conjunto impecável de novas sonoridades, arranjos vocais e baladas capazes de nos deixar seriamente pensativos sobre certas escolhas nas nossas vidas.

Embora seja uma oferta mais adulta, especialmente no departamento das letras que receberam um update do caraças, os elementos sassy divertidos continuam presentes em faixas como "Sexy Dirty Love" ou numa das minhas favoritas, "Cry Baby". Seria um crime a Demetria continuar a ser ignorada pelos Grammys, mas aqui pelo blog levou um Golden Ghostly. (REVIEW COMPLETA)

..9.. Allie X  Collxtion II
MUST LISTEN: THAT'S SO US | DOWNTOWN | SIMON SAYS | VINTAGE | CASANOVA | OLD HABITS DIE HARD

Sabem quando gostam tanto de um artista underground que quase preferem nem falar muito dele para se manter "vosso" e longe do mainstream? É assim que me sinto com a Allie X. Após ocupar a 3ª posição no meu "TOP 10 EP's of 2O15com a sensacional colectânea CollXtion I, a jovem canadiana voltou com o tão aguardado segundo volume, agora em forma de álbum de estreia. Tal como o trabalho antecessor, encontramos um leque de canções sofisticadas, coesas, provocadoras, etéreas e absolutamente avassaladoras. Não fosse a competição tão forte, ocuparia uma posição no pódio.

Numa mistura sónica e visual entre Lady Gaga e Kate Bush, a Allie X é capaz de captar a nossa atenção de uma maneira brutal, deixando-nos suspensos no tempo e espaço. Além de escrever tudo, a cantora também tem créditos de produtora em praticamente todas as canções do disco. Se há coisa que aprecio é quando os artistas tomam o controlo do seu trabalho e não se deixam influenciar por barulho exterior. O resultado está à vista, uma sequência musical genial do início ("Paper Love") ao fim ("True Love Is Violent"). E tenho dito.

..8.. Miguel  War & Leisure
MUST LISTEN: BANANA CLIPPINNEAPPLE SKIES | SKY WALKER | CRIMINAL | TOLD YOU SO

O Miguel parece ser um dos poucos artistas com posição cativa no meu top 10 dos melhores do ano. Em 2015 ocupou o #10 com "Wildheart" e, dois anos depois, sobe para #8 com "War & Leisure". Com uma sonoridade mais acessível e na mesma linha do sensacional "Kaleidoscope Dream" (2012), este quarto disco é tudo aquilo que eu não sabia que precisava. Continuando com interpretações carregadinhas de sensualidade, Banana Clip é refrescante e deliciosa, Pineapple Skies é uma balada que poderia muito bem ser a prima direita da Sexual Healing. A voz do cantor neste registo é tão perfeita que torna cada faixa convidativa. O Miguel é sem dúvida um dos melhores cantores R&B da actualidade e é marginal a falta de reconhecimento que ele tem face a outros como Bruno Mars.

..7.. Jessie Ware — Glasshouse
MUST LISTEN: SELFISH LOVE | FIRST TIME | THINKING ABOUT YOUALONE | HEARTS

O amor sempre foi a principal componente dos trabalhos da Jessie Ware. Com uma sensibilidade rara nos dias que correm, a cantora e compositora britânica conseguiu criar um pequeno império de preciosidades com os discos "Devotion" (2012), "Tough Love" (2014), e o mais recente "Glasshouse". Confesso que tenho um soft spot por ela. É das poucas cantoras que me consegue comover com os seus trabalhos que além de relações, também abordam conflitos existenciais. São temas carregados do pesar da saudade, uma angústia permanente ou simples admissão de paixão. O cuidado e forma como conduz a narrativa e arranjos dos versos é algo que merece ser apreciado. Faixas como Selfish Love e First Time são pérolas que guardarei para sempre.

..6.. Lana Del Rey  Lust For Life
MUST LISTEN: 13 BEACHES | LOVE | BEAUTIFUL PEOPLE, BEAUTIFUL PROBLEMS | SUMMER BUMMER | GROUPIE LOVE

Em "Lust For Life", o quarto disco da carreira da Lana Del Rey, vemos a cantora norte-americana a voltar às suas raízes, por assim dizer. Mais próximo da brilhante era Born To Die do que de Ultraviolence ou Honeymoon, é o seu trabalho mais longo até à data. O conjunto de 16 faixas lida com temas bastante familiares para qualquer fã, a queda do glamour Hollywoodesco, a América, e amores terríveis. Mas, desta vez, a Lana consegue atingir uma magnitude ainda maior, ao recorrer a orquestras e melodias simplesmente impressionantes. Começando pela cinemática "Love" e passando pela etérea "13 Beaches"são muitas as concorrentes ao título de melhor canção.

Contrariamente à maioria dos colegas de profissão, a Del Rey acertou em cheio nas colaborações. A parceria com a incomparável Stevie Nicks na "Beautiful People, Beautiful Problems" (uma das minhas favoritas), é possivelmente uma das canções mais bonitas que alguma vez criou. As vozes das duas complementam-se tão bem que chega a ser chocante. O rapper A$AP Rocky aparece em "Summer Bummer" e "Groupie Love" e não desapontou.


..5.. SZA  Ctrl
MUST LISTEN: THE WEEKEND | DREW BARRYMORE | LOVE GALORE | SUPERMODEL | GO GINA 

O ano passado teve várias lufadas de ar fresco em diversos géneros musicais. No campo R&B/Hip-Hop, o nome SZA é provavelmente o que mais se destaca. No disco de estreia, "CTRL", a jovem não mede meias palavras e proporciona um dos trabalhos mais honestos dos últimos tempos. O amor, a falta dele, inseguranças, experiências românticas traumáticas e lições aprendidas são alguns dos tópicos abordados ao longo de um conjunto de 14 faixas.

O título do álbum refere-se à dificuldade em nos mantermos no controlo de certas situações repetitivas e culmina num "já chega". Os temas são tão pessoais que é impossível não nos revermos em pelo menos um deles. Aliás, as letras exemplificam uma espécie de viagem sentimental, atravessando várias fases como o fim inevitável de uma relação (Supermodel), a perda de confiança nos sentimentos de outra pessoa (Garden), até à sua aceitação (Drew Barrymore).


..4.. Sabrina Claudio — About Time
MUST LISTEN: BELONG TO YOU | USED TO | WANNA KNOW | EVERLASTING LOVE | STAND STILL

Não há nada melhor que descobrir um novo talento. Por obra do acaso que é como quem diz, youtube, há uns meses tropecei na soberba Belong To You (um dos 10 "UNDERRATED SINGLES OF 2017") e o resto é história. Não sendo propriamente uma powerhouse, a Sabrina Claudio é uma estrela em ascensão, cuja confiança rivaliza com a de uma Rihanna. Num registo quase angelical, experimental, sedutor e melancólico, a jovem de 21 anos conseguiu criar um disco de estreia perfeito do início ao fim. "About Time", foi exactamente o que senti quando ouvi a colectânea. Embora ainda não tenha quebrado a barreira do mainstream até ao estatuto de super-estrela musical, as qualidades estão todas lá.

..3.. Kelela  Take Me Apart
MUST LISTEN: LMK | BETTER | TAKE ME APART | ONANON | ENOUGH

Aos 34 anos, a Kelela finalmente lançou o seu debut album, "Take Me Apart". Só prova como a idade é apenas um número e nunca devemos desistir dos nossos sonhos. Após alguns EP's, a cantora segue as pisadas da colega Solange Knowles, ao caminhar por uma paisagem de R&B contemporâneo, com traços de POP. A sua voz brilha em primeiro plano, enquanto os refrões viciantes nos atacam com uma potência capaz de nos deixar a dançar ou conquistar uma galáxia distante. Sim, leram bem. Os instrumentais electrónicos evocam diferentes cenários, desde algo alianesco a uma sessão de BDSM. Estranho mas altamente genial. "Take Me Apart" é uma versão mais polida e arrojada dos seus trabalhos anteriores, e não há nada de negativo a apontar. 

..2.. Kesha  Rainbow
MUST LISTEN: PRAYING | BOOTS | LET 'EM TALK | LEARN TO LET GO | BASTARDS | RAINBOW

Raras são as vezes que um projecto musical consegue a proeza de nos arrancar o coração e trazer-nos de volta à vida. Rainbow foi um desses casos. Cinco anos desde o lançamento do último álbum de inéditas, Warriora Kesha renasceu e abençoou-nos a todos com o melhor trabalho da sua carreira. A cantora convidou-nos a entrar no seu íntimo e a assistir de camarote a uma preview de todos os momentos bons e maus que passou na vida. "Bastards" é a escolha perfeita para abrir o disco e forma as bases do que se segue, um conjunto de faixas banhadas a ouro.

Inevitavelmente, são várias as referências à batalha judicial travada com o produtor Dr. Luke, e a respectiva editora, mas o discurso nunca é de vítima. Pelo contrário, ela aceita o passado e segue em frente. Neste contexto, nasceram autênticas pérolas como "Praying", a faixa-título e a de fecho, "Spaceships". Mas nem tudo é melancólico. Sem perder o sentido de humor que nos fez apaixonar por ela, é impossível não sorrir ao som de "Woman" e "Let 'Em Talk" ou derreter com a ternurenta "Godzilla".

Tal como alguns colegas o fizeram mas nem sempre de forma tão eficaz, Kesha apostou em combinações sonoras surpreendentes. Num registo mais indie/rock/country/pop, as colaborações com os Eagles of Death Metal e Dolly Parton são a cereja no topo do bolo multicolor que é este Rainbow. A Glitter Queen continua lá (ouçam a "Boots", uma das minhas favoritas e que me lembra imenso a "Americano" da Gaga), mas transcendeu para algo digno de adoração. Não é por acaso que os seus vocais estão mais fortes do que nunca. Sem dúvida um dos meus álbuns favoritos deste ano.

..1.. Lorde  Melodrama
MUST LISTEN: GREEN LIGHT | SOBER | LIABILITY | WRITER IN THE DARK | HOMEMADE DYNAMITE | PERFECT PLACES | THE LOUVRE

Assim que ouvi a brilhante "Green Light" pela primeira vez tive a certeza de que o álbum seria bombástico. Quando finalmente chegou, foi com enorme satisfação que pude comprovar: Melodrama é O melhor disco de 2017. 

O sucessor de Pure Heroin ficou em gestação durante quatro longos anos, mas valeu a pena cada segundo. Com uma produção inegável do Jack Antonoff, dos Bleachers, a Lorde passou de outsider a observadora. Normalmente existe sempre uma música que podia ter ficado de fora da lista, mas aqui isso não acontece. Do início ao fim, somos convidados a assistir a uma espécie de biopic da vida sentimental da cantora. É mais drama que melo, talvez porque o que o Frank Ocean é para o R&B, a Lorde aspira ser para o pop, isto é, uma poeta lírica. Missão cumprida.

Há muito tempo que não ficava em êxtase com álbum mas este Melodrama marcou pontos em todas as áreas. Vocalmente, o timbre continua igualmente assombroso e angélico, enquanto as letras são absolutamente geniais. As associações que a jovem cantora faz são, literalmente, fruto de uma mente incrível. Tudo isto com uma vibe à la 80's? Parece que foi feito especialmente para mim! A Lorde não é uma liability, mas pode ser um forest fire


Conheciam os álbuns todos? Qual ou quais foram os vossos favoritos de 2017?

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

I'm here

Não acredito que vou ser aquela pessoa que desaparece abruptamente e volta como se nada fosse. Não sei o que vos diga. Antes de mais sinto-me terrível por esta pausa de quase três semanas em plena Ghostly Award Season. Quem me acompanha há alguns aninhos sabe o quanto prezo esta altura do ano.

Podia enumerar mil e uma desculpas esfarrapadas para justificar o meu desaparecimento mas não o vou fazer. Tudo se resume a duas coisas: cansaço e desmotivação. Pensei que conseguiria conciliar chegar a casa todos os dias às 22h com a escrita mas tem-se revelado um valente desafio (é que nem o instagram anda activo). Precisei desligar-me totalmente para poder descansar mentalmente. Por outro lado, a fraquíssima adesão no que toca à interacção com a temática a cima referida só me deixa ainda pior. Parecendo que não, já são três anos  (desde o "renascimento", vá) e não sinto evolução nenhuma. Enfim, frustrações pessoais que ganham proporções astronómicas quando faço algo de que realmente gosto e não sinto nada em retorno. Algo com que certamente muitos de vocês se devem identificar.

Posto isto, ficaram a faltar as listas dos Melhores Álbuns e Filmes de 2017. Está tudo ouvido, visto e escolhido há algum tempo mas confesso que colocar tudo por escrito é que está quieto. No entanto, fica a promessa que nos próximos dias darei a conhecer the last chosen ones.  

Se por acaso ficaram expectantes com o desfecho dos tops, sorry e tentarei não levar duas décadas! 

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